quinta-feira, 27 de março de 2008

Mais respostas – democracia, vida prática, tolerância...

Aos meus interlocutores,
Aos caríssimos Leonardo Vieira e Samuel,
Saudações.
Lembro primeiramente que o ensaio sobre a Democracia
já diz a partir do título que trata-se de uma ‘construção’,
ou seja, a Democracia ainda não existe.
Por outro lado, a Democracia é mais fácil de ser construída
que o ‘comunismo’ ou o ‘anarquismo’. Pois a Democracia
é diálogo, é dialética. O comunismo e o anarquismo são
IDEAIS, fundam-se numa crença irreal no ser humano.
Não vivemos num ‘totalitarismo’ como pensam alguns de
forma sombria (talvez venhamos a cair numa teocracia com
o nosso Führer Edir Macedo...) Ao nosso redor existem
elementos totalitários (mídia, indústria cultural, segurança
pública, etc) e também elementos democráticos (eleição,
alternância de partidos no poder, divisão de poderes,
separação Igreja-Estado, direito civil, habeas corpus, etc)
O que precisamos é construir a Democracia, é intensificar os
elementos democráticos e eliminar os elementos totalitários.
Uma prova de que a Democracia funciona? O fato de a
Grã-Bretanha ter lutado contra dois fascismos (Alemanha e
Itália) e ter continuado democrática. Churchill mesmo,
apesar de todo o seu ‘lado B’, reconhecia a importância da
Democracia, não o melhor dos sistemas políticos, mas o
‘menos pior’.
No mais, precisamos parar de idealismos, de vida contem-
plativa e descobrir como o mundo funciona. De que adianta
saber Hegel, se não se conhece o Código Civil? De que
adianta ser existencialista e não saber como funciona uma
conta corrente ou um cartão de crédito? De que adianta ser
especialista em Habermas e não conhecer a política local e
seus representantes?
O intelectual tem que sair da torre de cristal!
Se parar para pensar eu sempre fui democrata. Sempre estive
em diálogo, sempre fui tolerante (até demais!) meio as mais
díspares ‘tribos’. Entre cristãos, ou góticos, ou satanistas, ou
comunistas, ou anarquistas, ou literatos, ou ateus, ou roqueiros,
etc, sempre tentando entender a PERSPECTIVA do outro,
porque o cristão é cristão, ou o comunista é comunista. Por que
de repente o cristão vira comunista, ou o satanista vira anarquista,
ou o ateu vira cristão... O que leva à construção de cada identidade
(ou IDEAL DE IDENTIDADE) em relação a cada cosmo-visão
(Weltanschuung) ou Ideologia.
Afinal, só a Democracia consegue atuar com a diversidade,
a pluralidade, num mundo cada vez mais global (a nível de sistema
internacional de trocas) e mais parcial (em nível particularista, de
segmentação de mercado, de estilos alternativos de vida, de
minorias raciais e de opção sexual, etc)
É isso.
Cordialmente,
Leonardo de Magalhaens
leonardo_de_magalhaens@yahoo.com.br

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