O Estado versus a auto-gestão. O Estado seria a opressão e a
gestão própria, a libertação plena. Contudo, para o bem ou para
o mal, agente (ou não) da classe dominante, o Estado detém o
‘monopólio da violência’ (segundo M. Weber) e corporifica o
‘principio da autoridade’ (‘coloca ordem na casa’). Assim, sem
o Estado enquanto moderador, o que teríamos? Está difícil com
o Estado? Então imagine-se sem o Estado! (Dos males, o menor)
O problema é o ‘inchaço’ do Estado (no bolchevismo, no stalinismo,
no fascismo, no nazismo, no estatismo varguista, no populismo
peronistas, etc). Sem a instância do Estado, onde resolveríamos as
questões de parte a parte, p. ex., as jurídicas? O Estado é um ganho,
uma conquista. Convém agora cuidar da eficiente administração
do mesmo. A auto-gestão é recomendada à círculos restritos, uma
escola, um sindicato, uma cooperativa, etc, onde o Estado seria
inoportuno e ineficiente (quando não irrealista e autoritário)
O Anarquismo prega o Individualismo. Tudo bem. E repudia o
individualismo que aí está. Contradição? Não. Apenas que o
individualismo (tão querido aos anarquistas) é ressaltado ao nível
do consumo, é do tipo “consumista” – “compre X e se sinta
realizado” ou “seja mais você, use Y” ou “Cuidamos do seu
bem-estar” ou “Só pensamos em você”. O indivíduo é ressaltado
e até louvado – desde que seja “cliente” e “consumidor”. (Se não
tem dinheiro, melhor nem passar na porta do shopping!)
A Identidade que define o Indivíduo passa a ser dada de fora.
Com um rótulo, com uma marca, com uma preferência (ou
revolta) já padronizada – “Você é revoltado, então ouça tal e tal
som” ou “Você é moderno, use a marca JJ” – onde a identidade
torna-se uma “estrela-de-davi” no braço de quem segue para o
campo de extermínio. Fica fácil identificar o cliente preferencial,
o consumidor em potencial.
Sabemos que a identidade não se limita ao corpo, é algo muito
mais ‘subjetivo’ – a famosa idiossincracia – onde podemos
encontrar tipos e identidades as mais diversas. Podemos encontrar
um loiro de olhos verdes e com uma camiseta do Bob Marley
(e umas tranças rastafáris no cabelo) ou então um negro com uma
camiseta de uma banda de black metal norueguesa altamente racista
(ah, se ele soubesse o que as letras pregam...) ou o pobre de jeans
de marca e tênis caríssimo (que ele roubou ou faturou no tráfico)
ou o rico de bermuda e chinelo havaiana (contudo, balançando
as chaves do carro...) Assim a diversidade das identidades é um
dos aspectos menos tediosos da ida moderna, ainda que identidade
hoje se confunda com caricatura.
A diversidade dos seres está ligada não apenas a pluralidade cultural,
mas à oferta de produtos no mercado. Discos, roupas, opiniões:
tudo à venda. Você pode comprar uma Identidade em suaves
prestações – basta usar um vestido, ou mudar o corte de cabelo.
Será padronizado, rotulado e eis mais um consumidor de certa
fatia do mercado.
A diversidade não é o ridículo, mas a “uniformização”. Há algo
mais patética do que os desfiles – sejam fascistas, nazistas ou
stalinistas? Aquela multidão de roupas iguais e faces iguais?
A igualdade social não é ‘uniformização’, é distribuição de
renda, é participação nos lucros, é crescimento do mercado
interno, é oportunidades no trabalho e na educação, é reduzir
as taxas distribuir os benefícios, os avanços culturais e os
tecnológicos.
A diversidade humana ainda é uma das poucas coisas que me
impede de morrer de tédio. O sofrível é um mundo todo igual,
todo num formato: há algo mais nauseante que uma passeata?
Que um dia cívico para louvar os líderes da pátria? Contudo,
como conciliar pluralidade e igualdade? Como conciliar a
liberdade do liberalismo com a igualdade do comunismo? E
sem perder o indivíduo autônomo? É este o desafio.
O horizontalismo do anarquismo traz ineficiência (por
ausência de autoridade e comando) e o verticalismo do
fascismo (e do stalinismo) traz opressão. Mas a liberdade
capitalista é ilusão, e o igualitarismo comunista é pura uniformização.
Como conciliar os avanços de uns sem se contaminar com os
retrocessos de outros?
O Anarquismo é um Ideal. A contribuição de Bakhunin para
a nossa salvação. De uma forma ou de outra, todos os pensadores
e reformadores sociais desejam salvar a Humanidade. (O que quer
que seja Humanidade.) Seja com o autoritarismo (fascistas), seja
com igualitarismo (comunistas), seja com independência individual
e liberalismo social (anarquistas), seja com o domínio da raça
superior (nazistas), seja com a fé nos Evangelhos (os vários
cristãos e messiânicos).
Basta uma leitura atenta, de “O Manifesto Comunista”, o “Minha
Luta”, os discursos de Mussolini, as cartas de Engels, os manifestos
de Bakhunin, o “Rerum Novarum”, as atas do Congresso Metodista,
os informes do Pentágono, o “Livro Vermelho” de Mao, os discursos
de Ho Chi Minh, as exortações do Bispo Macedo.
Todos (sinceros ou não) querem nos salvar. Desejam ardentemente
nos salvar (até contra a nossa vontade!) mas nos salvar de nós mesmos.
Nov/07
Por Leonardo de Magalhaens
leonardo_de_magalhaens@yahoo.com.br
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