quinta-feira, 27 de março de 2008

ALGUMAS RESPOSTAS - Senso Comum, metafisicas, progresso...

Recebo alguns comentários aos meus ensaios e gostaria muito
de aqui sintetizar uma resposta direta e objetiva. Aqueles que
proporam as questões aqui reconhecerão a resposta.
De início, a questão do “senso comum”. O que vem a ser o
“senso comum”? tudo o que nõ é acadêmico? Qual o problema
com o senso comum? 90 % dos cidadãos vivem no ‘senso comum’.
A única ‘cura’ é ser acadêmico? Ledo engano: nunca vi tanto
‘senso comum’ quanto na faculdade!
O meu artigo “A Impossibilidade do Anarquismo” realmente
não tem qualquer novidade, mas não se resume à ‘senso comum’.
O pensamento formal, metódico, é um pensar voltado para
‘palavras alheias’: estudos de estudos alheios. E, quando se ousa
pensar por si mesmo, é logo rotulado de ‘senso comum’.
Se ‘senso comum’ for defeito de quem não é acadêmico, assumo
plenamente esse defeito.
Um segundo ponto é o conflito IDEALISMO X MATERIALISMO.
A partir de Hegel e outras metafísicas. Eu confesso que pouco
entendo de metafísica. No máximo algo sobre os ‘universais’ e
fenomenologia (Sartre, principalmente) Confesso que nunca
estudei Hegel. Nunca li os ‘hegelianos’. Conheço algo de Kant
e Marx. Não sou idealista nem materialista. Até porque não levo
à sério estas DICOTOMIAS, do tipo CORPO/ALMA, BOM/MAL,
PECADO/PUREZA, IDEALISMO/MATERIALISMO, NÔMENO/
FENÔMENO, DIREITA/ESQUERDA, etc. É muita abstração
intelectual para a minha cabeça!
O mundo não é um conjunto de ‘compartimentos’ – tudo se entrelaça.
Tudo é UM. Tudo se mistura, em miscigenações raciais e mentais.
Somos bons e maus, idealistas e pragmáticos, somos sádicos e
também masoquistas.
Um terceiro ponto é a questão do PROGRESSO. Vez ou outra
surge uma filosofia com promessas de ‘progresso’. (Enquanto
outros falam de um “tempo circular”, como é o caso de Vico e
Nietzsche) E temos então um Auguste Comte, com sua lei dos três
Estados (Teológico/Fictício, Metafísico/Abstrato e finalmente o
Científico/Positivo), onde a ‘racionalidade cientifica’ vai nos libertar.
Ou então Marx com seu “estado proletário” que vai parar a História
(movida pela “luta de classes”).
Então, se referem a um “progresso rumo ao anarquismo”. Primo,
que não creio em ‘progresso’ (nem do Comte, nem do Hegel, nem
do Marx), acho que o mundo sempre foi isso que está aí: uns tem e
outros não tem, uns mandam e outros obedecem, uns sabem e outros
ignoram. Não há melhoras, há ‘apaziguamentos’, acomodações (termo
que muito agrada à figuras díspares como Max Weber e Bernstein,
o revisionista) As pessoas hoje não são boas, se comparadas com os
‘bárbaros’. Elas são domesticadas, são ‘dopadas’, nua moral feita
de medo. (Basta pisar no calo de alguém para o ódio explodir e o
cara te matar com dez tiros à queima-roupa!) Secundo, que não acho
o Anarquismo possível no plano efetivo (no sentido de “Efetividade”
da “Ideologia Alemã”, de Marx e Engels). Anarquismo é Ideal e
Utopia (do grego, “lugar nenhum”) – igual ao comunismo (leiam
o meu artigo sobre a ‘impossibilidade do comunismo’) (*) Ou seja,
o Ideal é todo um processo de reação/negação diante da ‘realidade’,
tudo ‘ideologia’ que vai sempre depender do contexto (época, local,
quadro político). Tertio, a vida se processa como um ‘jogo’ (uns
jogam melhor do que outros) (alguém já leu “Homo Ludens”?), o
que chamamos de “Real Politik” (política real, do mundo real),
pois o resto é o ‘mundo das Idéias’, do ‘como-poderia-ser’, da
Utopia.
Por Leonardo de Magalhaens
(*)(nota: gostaria muito de escrever um artigo sobre a ‘impossibilidade
do fascismo’, mas não seria verídico – o fascismo sabe ser duradouro!
Durou 20 anos na Itália, 40 anos na Espanha, 46 anos em Portugal...)

Leonardo_de_magalhaens@yahoo.com.br

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